Comentário
Como já contei por aqui, tive um amor não correspondido quando era
bem jovem ainda. Contudo, o que mais me doía, na época, não era o fato
de ele não corresponder aos meus sentimentos, era a maneira com que ele
descuidava, inclusive, de uma amizade sadia e bonita que, para mim,
existia entre nós. Então, quando ele se mudou daqui para Santa Catarina,
claro, eu senti muita falta dele. Já nem sabia se como amigo ou se como
o frustrado amor que não deu certo. Mas o fato é que ele, nessa
distância toda, não dava notícias, não escrevia e agia como se eu e
todos os amigos que deixou por aqui fizessem parte do passado. Sei lá
por que fez isso. Mas, para não fugir à minha tradição, um dia, resolvi
escrever um texto, tentando traduzir o que estava sentindo com aquela
distáncia toda dele. Então, decidi parafrasear um livro lindo que conta
um romance alemão, nos tempos em que a Alemanha estava dividida. O livro
se chama “Quente como o Vento das Estepes”, mas para a atitude dele, eu
não tinha outro título a dar que não fosse esse: “Frio Como os Ventos do
Sul”… O que eu ainda não sabia era que, um dia, eu iria pensar que,
apesar do frio, os ventos do sul me trariam um novo sentido para a minha
já tão monótona existência. Foi justamente no sul, não em Santa
Catarina, mas no Rio Grande, que encontrei o grande amor da minha
vida!… E, só não escrevo um texto com o título: “Quente Como os Ventos
do Sul” porque sei, se já tenho fama de meio maluca, isso iria confirmar
essa suspeita de muitos…
FRIO COMO OS VENTOS DO SUL
É manhã!
O Sol parece traduzir o que sinto,
Com seus raios, sua força,
Tenta vencer o frio que ao soprar desperta.
Caminho entre as imagens,
Numa paisagem de cores vivas, sem vida.
Busco encontrar forças,
Achar a saída, sem sair do lugar…
Respiro a liberdade e me sinto aprisionada.
Falta uma parte,
Que parte a cada dia
Em que o tempo aumenta a distância…
Frio como os Ventos do Sul,
Um sentimento se perde,
Em cada dia, esperança que adormece,
Em cada despertar com sabor de saudade.
Maio/1993
Copyright: (EDA, dezenove de setembro de dois mil e oito)
Um abraço
Rosani